A batalha no Uatizápi

As eleições brasileiras deste ano mostraram grandes novidades em um novo jeito de se fazer política. Dessa vez me refiro ao aplicativo Whatsaap, que se transformou em um cenário poderoso nas campanhas.

“A ferramenta é a nova fronteira da campanha, na qual os níveis de humor e ofensa fazem debates parecerem matinês”.

Os conteúdos financiados e induzidos pelas campanhas oficiais ou não conseguem atingir milhares de pessoas em pouquíssimo tempo. São vídeos defendendo candidatos e atacando adversários que diariamente são recebidos – e repassados – entre os 38 milhões de usuários brasileiros.

Especialistas de marketing apontam os motivos do bom potencial da plataforma: é versátil – serve para vídeos e fotos, mas também se presta às concorrentes -; chega ao eleitor por seus contatos, o que aumenta a credibilidade do conteúdo; e como virou o padrão de discussão para grupos, gera debates menos públicos que outras redes.

A postura dos candidatos – e também das pessoas – nas redes sociais revelou surpresas nessas eleições. Isso vai desde a imensidão de sátiras criadas até vídeos gravados pelos próprios candidatos que circularam nas redes. Consegue imaginar como será essa batalha em 2016?

Costumo dizer que essa batalha no app se compara com a Guerra do Vietnã. Assim como os vietnamitas se escondiam debaixo da terra e depois atacavam e cercavam os americanos na hora programada, no whatsaap o grupo por trás de um candidato também articula de maneira fechada as estratégias que posteriormente serão efetivadas no momento exato, deixando o adversário sem muita defesa.

Cito a expressão “fechada”, pois se você não for convidado para participar desse grupo dificilmente saberá de suas intenções, não existe ferramenta que consiga desvendar o que é discutido ali em “off”, nem mesmo o maior buscador de todos, o Google. Não é mesmo? Poderosa ferramenta para quem sabe usá-la de maneira estratégica.

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1 comentário

  1. Ironicamente, a tecnologia avançada está resgatando uma idéia muito antiga.
    Na Grécia Antiga – onde surgiu o conceito e a palavra Democracia – os cidadãos reuniam-se numa praça para discutir suas idéas e, as decisões eram tomadas depois que todos tivessem aceito ou chegado a um consenso. Era, portanto um processo N x N.
    Quando as cidades cresceram isto ficou inviável e surgiu a idéia de criar-se “representantes”. Deste modo os poucos escolhidos tomavam as decisões por delegação dos demais cidadaos. Os avanços com a criaçào da imprensa, do rádio e da TV apenas melhoraram a capacidade de persuasão dos candidatos a representantes, mas continuaram a não permitir que o cidadão comum expressasse as suas idéias.
    Agora as redes sociais, começam a recriar a “antiga democracia” onde o cidadão volta a ter voz, sempre que queira participar de uma discussão.
    Logicamente isso não será imediato e nem indolor. Deixar que todos falem significa ouvir coisas com as quais não concordamos, ouvir tanto as mentiras quanto as verdades e, principalmente a capacidade de sintetizar milhões de opiniões em leis e políticas. A parte técnica parece fácil (já temos ferramentas de Big Data & Analytics para isso). Mas, educar o povo a respeitar as opiniões divergentes, impedir que a mentira supere a verdade e não censurar o que é desagradável será o grande desafio.

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