OS na educação: por que tentar?

Artigo de minha autoria publicado pelo Jornal O Popular em 09/01/2016

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Tenho acompanhado de perto as inúmeras críticas que vem sendo feitas sobre o governo estadual e sua intenção de repassar a gestão de algumas escolas estaduais para as organizações sociais, as chamadas OSs. Afinal, o projeto é ou não interessante? As principais críticas dos que se opõem é por acreditarem que haverá terceirização das escolas públicas e pela falta de diálogo por parte do governo.

Diante dos protestos, não me agrada o radicalismo. A fúria e a ausência de propostas a fim de sustentar as opiniões contrárias não têm influência positiva no debate. Sendo assim, acredito ser válido que os estudantes elaborem e apresentem suas contrapropostas, o que gera viabilidade e segurança para que também haja uma reação e debates por parte do governo. O projeto está em fase inicial, portanto, está aberto para que novas questões sejam levantadas, e o governo está atento a isso.

Compreendo que toda mudança é naturalmente cercada por insegurança e dúvidas. Isso não deve barrar a tentativa de querer mudar antigos padrões e ousar. A maioria dos pais sabe que não basta encontrar uma escola para matricular seus filhos. É preciso que essa escola ofereça ensino de qualidade, que é o que vai fazer a diferença no futuro das crianças e jovens. Pelo que tenho acompanhado na imprensa, o projeto piloto das organizações sociais visa melhorar a qualidade do ensino. Então, por que não tentar? O que temos a perder?

É importante que as pessoas pesquisem sobre o assunto. A parceria entre Estado e organizações sociais forma um caminho promissor. Isso já acontece, por exemplo, na saúde. Na educação não creio que seja diferente. Um dos artigos mais elucidativos que li a respeito foi escrito pelo advogado Pietro de Oliveira Sidoti, especialista em direito administrativo, que relaciona vários pontos positivos na gestão pelas OSs.

Também é interessante pesquisar sobre quem está por trás do projeto. Indagar perguntas como: “Quem está oferecendo esse novo modelo tem habilidade para tal?”. Em nosso caso aqui discutido, refere-se à secretária da Educação, Raquel Teixeira, que tem um passado político ilibado e por sua trajetória política e pessoal, é merecedora de respeito e reconhecimento. A secretária lutou pela criação e implantação da Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia (Fapeg); participou efetivamente da elaboração do Plano Nacional de Educação e foi a relatora do projeto de lei da escola de tempo integral em todo o país.

Ela também foi uma figura decisiva para implantar o Plano de Cargos e Salário dos professores e o projeto da LPP (Licenciatura Plena Parcelada).

São esses tipos de questões que me fazem acreditar que a professora Raquel Teixeira não insistiria, com tanta veemência, em um projeto que fosse trazer resultados ruins para o ensino público. Ela tem um passado de luta pela educação pública e não creio que dará as costas a toda essa história no presente.

Reilly Rangel, presidente do grupo Tron Informática.

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